sexta-feira, 6 de março de 2009

Bronco Lusitanus - Por Miguel Albuquerque

Como afirma um amigo: há de facto uma diferença entre o ignorante e o bronco. O ignorante não sabe. O bronco não sabe nem quer saber. E despreza quem sabe.

E o pior de tudo é quando o “bronco” tem a vara ao seu dispor. Do tipo, oficial de latrina com a chave da retrete na mão.

Quando o “bronco” está enfiado na administração pública então é a catástrofe geral para quem necessita de resolver os seus problemas.

Em atitude que excede a paciência de qualquer mortal, o bronco faz tudo – mas tudo – o que é possível para burocraticamente lixar a vida ao cidadão, aos empresários, às empresas e à economia.

Alinha umas palavras em forma de discurso para dificultar a resolução de qualquer problema; exige sempre mais uma formalidade, mais um papelinho, mais um requerimento ou mais uma assinatura; soletra sempre uma desculpa para o cidadão voltar no outro dia; com um fervor doentio invoca sempre uma burocracia ridícula para imobilizar tudo o que se movimenta à sua volta.

O que era para resolver em 10 minutos, demora 15 dias. O “bronco” destrói a energia de quem necessita de investir, subverte a vontade, os meios e as oportunidades de quem quer arriscar e empreender; o bronco é o símbolo de uma economia submergente – como a portuguesa – que está à beira do abismo.
in Diário Cidade 06-03-2009

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