segunda-feira, 30 de março de 2009

Divida...e depois a Madeira é que tem a fama - Por Zé das Ilhas

A Madeira prepara-se para denunciar, junto de diferentes instâncias nacionais e internacionais, a legitimidade do governo de Portugal em limitar as fontes de financiamento do seu orçamento, tendo por base a ideia que as câmaras e as regiões autónomas são responsáveis ou contribuem para o agravamento do défice do Estado.

No estudo em elaboração os primeiros dados permitem concluir que a dívida directa da Madeira situa-se nos 14,7% do seu Produto Interno Bruto (PIB), enquanto Portugal ultrapassou já os limites impostos por Bruxelas (60% do PIB), pois os 118,4 mil milhões de euros de dívida directa representam 71,3% do PIB português.

O trabalho encomendado mostra à evidência, também, que enquanto a evolução da dívida directa da Madeira registou um ligeiro decréscimo entre 2006 e 2007, para depois subir quase cinco pontos percentuais em relação ao ano que findou, já o governo liderado por José Sócrates não reduziu o endividamento com as suas medidas, pois a dívida directa subiu quase 10 mil milhões de euros nos últimos três anos.

Porque na Madeira os partidos da oposição não aceitam como referência o PIB, por considerar que a riqueza gerada pelo Centro Internacional de Negócios da Madeira, - com um peso entre os 20% e os 23% do PIB da Madeira - distorce qualquer análise, este estudo visa demonstrar, também, que em matéria de dívida pública a Região afectou menos as suas receitas fiscais (91,8%) do que o Estado, já que a dívida representa 332,3% das receitas fiscais geradas pelas empresas e contribuintes portugueses.

A este propósito, a Madeira vai lembrar que de acordo com o Banco de Portugal, entre 2005 e 2008 - ou seja, nos quatro anos de governo de José Sócrates - a dívida total bruta de Portugal ao estrangeiro cresceu 86.203,6 milhões de euros, atingindo 444.117,9 milhões de euros. Dito de outra maneira, a dívida líquida subiu de 70,2% para 97,2% do PIB. Ou seja, é já quase igual à riqueza criada num ano por todos os portugueses. Já a divida total bruta ao estrangeiro no fim de 2008 era já 2,67 vezes superior ao PIB.

O Governo Regional prepara-se para estudar também os impactos que o Centro Internacional de Negócios da Madeira tem na economia da Madeira.

Com base na receita de IVA no período entre 2000 e 2008 - 2.442 milhões de euros - o Governo Regional está a efectuar um levantamento que lhe permite concluir que cerca de 14% desta receita foi gerada pelas empresas do CINM, o que representa 341 milhões de euros em apenas 8 anos. De notar que numa monitorização feita em 2004, o IVA do CINM representou 23,5% do total da receita regional desse ano.

In Diário de Notícias Madeira (30-03-2009)

sábado, 28 de março de 2009

Earth Water - Uma iniciativa a divulgar - Por Zé das Ilhas


Arrancou recentemente em Portugal um projecto pioneiro de solidariedade.

A água embalada Earth Water é o único produto no mundo com o selo do Alto-Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), revertendo os seus lucros a favor do programa de ajuda de água daquela instituição.

Ao nível nacional, a Earth Water é um projecto que conta com a colaboração da Tetra Pak, do Continente, da Central Cervejas e Bebidas, da MSTF Partners, do Grupo GCI e da Fundação Luís Figo.

Com o preço de venda ao público (PVP) de 59 cêntimos, a embalagem de Earth Water diz no rótulo que «oferece 100% dos seus lucros mundiais ao programa de ajuda de água da ACNUR», apresentando, mais abaixo, o slogan «A água que vale água».

Actualmente morrem 6 mil pessoas no mundo por dia por falta de água potável. Com 4 cêntimos, o ACNUR consegue fornecer água a um refugiado por um dia.

"Todos os dias morrem seis mil pessoas devido à falta de água potável e destas, 80% são crianças. A cada 15 segundos morre uma criança devido a uma doença relacionada com a água.

Com a criação da Earth Water pretende fazer a diferença e melhorar estas estatísticas assustadoras. Ao desenvolver o conceito "You Never Drink Alone" ambiciono criar uma solução para a falta de água mundial".

http://earth-water.org/

quarta-feira, 25 de março de 2009

Arranca época da caça às focas no Canadá - Por Zé das Ilhas


A época anual de caça às focas arrancou esta semana, no Canadá.
Os primeiros barcos avançaram pelo gelo do Golfo de St. Lawrence na segunda-feira e espera-se que, nas próximas semanas sejam mortas 280 mil focas bebé.

De acordo com o jornal britânico «Daily Express», a quota prevista para este ano é maior do que a de 2008, em que as autoridades deixaram caçar 275 mil exemplares. Um aumento entendido como uma provocação por muitos críticos e ambientalistas por todo o mundo.

Contestatários da caça às focas dizem que é uma indústria sangrenta e insustentável.

O Departamento de Pescas e Oceanos do Canadá assegura que tem uma caça «humana e profissional». «Qualquer informação de que fazemos uma caça às focas de forma não sustentável é incorrecta», garante o Governo canadiano."

in Portugal Diário

Só gostava de saber mas que raio de desporto é este?
Na Madeira preservamos cuidadosamente 35 focas monge que se encontram nas ilhas desertas.
No Canadá, país dito desenvolvido, fazem uma matança sangrenta de 280.000 focas bebés!!!

É preciso acabar com esta barbaridade!

sábado, 21 de março de 2009

HORA DO PLANETA - Por Zé das Ilhas


Por achar que a iniciativa vale o nosso esforço aqui vos deixo o desafio de se juntarem e fazerem desta HORA DO PLANETA algo visivel.

O nosso planeta nãod evia ter horas marcadas mas se desta forma se conseguir mais alguma consciência activa e protectora desta "nossa" magnifica, única e afectuosa casa, que assim seja.


Hora do planeta.

Portugal adere a iniciativa de sensibilização

Dia 28 de Março 2009, Durante uma hora, Lisboa sofrerá um apagão e os principais monumentos da cidade ficarão às escuras.

No dia 28, esta será a forma da capital portuguesa reduzir os consumos de energia ao aderir à Hora doPlaneta.

Uma iniciativa da organização internacional de ambiente WWF, que tem por objectivo alertar os líderes políticos para a necessidade de adoptarem medidas urgentes contra as alterações climáticas.

Cristo-Rei

Ponte 25 de Abril

Mosteiro dos Jerónimos

Palácio de Belém,

Museu da Electricidade,

Torre de Belém,

Padrão das Descobertas,

Castelo de São Jorge

e Paços de Concelho


Ficarão apenas iluminados pelas estrelas entre as 20.30 e as21.30.

Lisboa junta-se assim, pela primeira vez, às mais de 700 cidades que participam na Hora do Planeta.

No ano passado, mais de 5o milhões de pessoas em todo o mundo fizeram parte desta mega mobilização, esperando-se este ano uma adesão de mil milhões de pessoas.

Todos os portugueses serão convidados também a apagar as luzes das suas casas, reduzindo o consumo eléctrico e as emissões de gases com efeito de estufa, juntando-se assim ao coro de vozes que tenta sensibilizaros responsáveis políticos para o problema do aquecimento global.

As empresas em Portugal também se mobilizaram e prometem apagões e acções de sensibilização nos seus espaços durante a Hora do Planeta. Entre elas estão já confirmadas a Coca-Cola, o IKEA, a Ogilvy Mather, a Nokia, a SIC e a Visão.


E a Madeira? Porque não adeirir a esta iniciativa?

Para uma ilha que vive da natureza e que está a sofrer os efeitos das alterações climáticas com o aparecimento, por exemplo, do mosquito do Dengue e os perigos graves para o Turismo, menos chuvas, subida do nível do mar, etc. etc. porque não participar numa iniciativa desligando o máximo de luzes possível em todo o arquipélago.


Seria uma ilha que vive da natureza a chamar a atenção às grandes potencias do mundo de todo o mal que estão a fazer ao nosso planeta.

sexta-feira, 20 de março de 2009

Onde páram os bons políticos? - Por Zé das Ilhas

Onde páram os bons políticos que, efectivamente, lutem por todos nós para nos retirar desta crise?

Os europeus têm de encontrar políticos alternativos a Sílvio Berlusconni, Nicolas Sarkozy, Gordon Brown, José Sócrates, etc. que sejam capazes de retirar a Europa desta crise de valores e de perspectivas que hoje vivemos.

Será que já não temos direito a ter políticos como Jaques Delors, John F. Kennedy, Francois Miterran, Margaret Thatcher, Wiston Churchill, Sá Carneiro, etc.

Será que estamos condenados a ter maus políticos?

Desde que apareceram os maus políticos na Democracia que a imagem do cargo político e dos sistemas democráticos está completamente denegrida. Os bons políticos têm desaparecido de circulação.

Faz lembrar aquela regra da economia: "A má moeda expulsa a boa de circulação"

Assim é na política: "O mau político expulsa o bom de circulação"

Qual será o bom político com juizo que quer estar num cargo público hoje em dia? Para ficar rotulado de corrupto e estar rodeado de incompetentes?

Graças a Deus que existe democracia e hoje em dia podemos escolher entre votar num mau político ou num muito mau. É claro, sempre podemos escolher em votar no mau.

Viva a Democracia!

sexta-feira, 6 de março de 2009

Human Disease - Por Zé das Ilhas


Porque é que o sistema democrático não funciona?

Porque é que o Estado não funciona?

Porque é que ainda existem pobres num mundo onde foi criada tanta riqueza?

Porque é que ainda não conseguimos criar um mundo socialmente justo?

Porque é que as falhas do mercado não são devidamente colmatadas pelo Estado como deveriam ser?

Nós escolhemos um sistema baseado na Economia de Mercado e na Democracia em que uma das grandes funções do Estado seria colmatar as falhas de mercado.

Porque é que não estamos todos felizes com este modelo de organização político-económica que escolhemos?

Porque é que há tanta gente infeliz?

Será que este é o menos mau dos sistemas?

Será que não existe outro?
Acho que a humanidade terá rápidamente de encontrar um novo sistema de organização político-económica da nossa sociedade.

Este sistema que nos prometeu riqueza, bem-estar, carros de sonho, casas de sonho, comida com fartura, roupas de marca, festas, diversão, etc, etc, etc, este sistema, dizia eu, exclui deste mundo de fartura muita e muita gente e, por outro lado, não faz feliz as pessoas que vivem nesse mundo de fartura.

A culpa é da Human Disease, o ser humano é egoísta por natureza.
A nossa grande doença é o egoísmo!

É por isso que sistemas como o Comunismo não funcionam com o ser humano.

O Comunismo está condenado ao fracasso e só em almas muito bondozas e ingénuas é que o comunismo subsiste.

Os próprios comunistas, quando chegam ao poder, são os primeiros a usufruirem da riqueza, do trabalho e da dedicação das pessoas ingénuas que "votaram" neles.

Os Comunistas que chegam ao poder são os primeiros a usufruirem os louros do seu próprio egoísmo. O egoísmo do ser humano faz com que os governantes, mesmos os comunistas, pensem únicamente no seu próprio bem-estar e no bem-estar dos seus amígos que serão a base do seu poder e tudo farão para manter o seu líder no poder que tanta bem-estar lhes proporciona.
Mas, por outro lado, a economia de mercado e o capitalismo, que nos trouxe tanta riqueza, exclui muita gente dessa fartura. O Estado não cumpre devidamente as suas funções de regulador e redistribuidor da riqueza.

A economia de mercado não faz feliz aos que vivem nessa fartura.

Os valores perderam-se.

As famílias, a base das sociedades, estão a perder-se.

A culpa da falha do sistema capitalista volta a ser o egoísmo do ser humano.

O Homem, eleito democráticamente, quando chega ao Estado para cumprir o seu dever de regulador, redistribuidor de riqueza e suprimento das falhas da economia de mercado, é corrupto.

O Homem quando chega ao Estado, quando lhe é dado poder, é egosista e apenas pensa no seu bem-estar, no bem-estar da sua família e no bem-estar dos amigos que lhe garantirão o poder e se servirão dele.

O Egoísmo é a nossa doença que nos faz viver tão infelizes.

O nosso egoísmo nos está a levar para um beco sem saída e nós, cada vez mais, estamos sós.
Moribundos do nosso próprio veneno.

Bronco Lusitanus - Por Miguel Albuquerque

Como afirma um amigo: há de facto uma diferença entre o ignorante e o bronco. O ignorante não sabe. O bronco não sabe nem quer saber. E despreza quem sabe.

E o pior de tudo é quando o “bronco” tem a vara ao seu dispor. Do tipo, oficial de latrina com a chave da retrete na mão.

Quando o “bronco” está enfiado na administração pública então é a catástrofe geral para quem necessita de resolver os seus problemas.

Em atitude que excede a paciência de qualquer mortal, o bronco faz tudo – mas tudo – o que é possível para burocraticamente lixar a vida ao cidadão, aos empresários, às empresas e à economia.

Alinha umas palavras em forma de discurso para dificultar a resolução de qualquer problema; exige sempre mais uma formalidade, mais um papelinho, mais um requerimento ou mais uma assinatura; soletra sempre uma desculpa para o cidadão voltar no outro dia; com um fervor doentio invoca sempre uma burocracia ridícula para imobilizar tudo o que se movimenta à sua volta.

O que era para resolver em 10 minutos, demora 15 dias. O “bronco” destrói a energia de quem necessita de investir, subverte a vontade, os meios e as oportunidades de quem quer arriscar e empreender; o bronco é o símbolo de uma economia submergente – como a portuguesa – que está à beira do abismo.
in Diário Cidade 06-03-2009

quinta-feira, 5 de março de 2009

Este é o maior fracasso da democracia portuguesa - Por Clara Ferreira Alves


Não admira que num país assim emerjam cavalgaduras, que chegam ao topo, dizendo ter formação, que nunca adquiriram, que usem dinheiros públicos (fortunas escandalosas) para se promoverem pessoalmente face a um público acrítico, burro e embrutecido.

Este é um país em que a Câmara Municipal de Lisboa, desde o 25 de Abril distribui casas de RENDA ECONÓMICA - mas não de construção económica - aos seus altos funcionários e jornalistas, em que estes últimos, em atitude de gratidão, passaram a esconder as verdadeiras notícias e passaram a "prostituir-se" na sua dignidade profissional, a troco de participar nos roubos de dinheiros públicos, destinados a gente carenciada, mas mais honesta que estes bandalhos.

Em dado momento a actividade do jornalismo constituiu-se como O VERDADEIRO PODER. Só pela sua acção se sabia a verdade sobre os podres forjados pelos políticos e pelo poder judicial. Agora contínua a ser o VERDADEIRO PODER mas senta-se à mesa dos corruptos e com eles partilha os despojos, rapando os ossos ao esqueleto deste povo burro e embrutecido. Para garantir que vai continuar burro o grande cavallia (que em português significa cavalgadura) desferiu o golpe de morte ao ensino público e coroou a acção com a criação das Novas Oportunidades.

Gente assim mal formada vai aceitar tudo e o país será o pátio de recreio dos mafiosos. A justiça portuguesa não é apenas cega. É surda, muda, coxa e marreca. Portugal tem um défice de responsabilidade civil, criminal e moral muito maior do que o seu défice financeiro, e nenhum português se preocupa com isso, apesar de pagar os custos da morosidade, do secretismo, do encobrimento, do compadrio e da corrupção. Os portugueses, na sua infinita e pacata desordem existencial, acham tudo "normal" e encolhem os ombros.

Por uma vez gostava que em Portugal alguma coisa tivesse um fim, ponto final, assunto arrumado. Não se fala mais nisso. Vivemos no país mais inconclusivo do mundo, em permanente agitação sobre tudo e sem concluir nada. Desde os Templários e as obras de Santa Engrácia, que se sabe que, nada acaba em Portugal, nada é levado às últimas Consequências, nada é definitivo e tudo é improvisado, temporário, desenrascado.

Da morte de Francisco Sá Carneiro e do eterno mistério que a rodeia, foi crime, não foi crime, ao desaparecimento de Madeleine McCann ou ao caso Casa Pia, sabemos de antemão que nunca saberemos o fim destas histórias, nem o que verdadeiramente se passou, nem quem são os criminosos ou quantos crimes houve.

Tudo a que temos direito são informações caídas a conta-gotas, pedaços de enigma, peças do quebra-cabeças. E habituámo-nos a prescindir de apurar a verdade porque intimamente achamos que não saber o final da história é uma coisa normal em Portugal, e que este é um país onde as coisas importantes são "abafadas", como se vivêssemos ainda em ditadura.

E os novos códigos Penal e de Processo Penal em nada vão mudar este estado de coisas. Apesar dos jornais e das televisões, dos blogs, dos computadores e da Internet, apesar de termos acesso em tempo real ao maior número de notícias de sempre, continuamos sem saber nada, e esperando nunca vir a saber com toda a naturalidade.

Do caso Portucale à Operação Furacão, da compra dos submarinos às escutas ao primeiro-ministro, do caso da Universidade Independente ao caso da Universidade Moderna, do Futebol Clube do Porto ao Sport Lisboa Benfica, da corrupção dos árbitros à corrupção dos autarcas, de Fátima Felgueiras a Isaltino Morais, da Braga Parques ao grande empresário Bibi, das queixas tardias de Catalina Pestana às de João Cravinho, há por aí alguém quem acredite que algum destes secretos arquivos e seus possíveis e alegados, muitos alegados crimes, acabem por ser investigados, julgados e devidamente punidos?

Vale e Azevedo pagou por todos?

Quem se lembra dos doentes infectados por acidente e negligência de Leonor Beleza com o vírus da sida?

Quem se lembra do miúdo electrocutado no semáforo e do outro afogado num parque aquático?

Quem se lembra das crianças assassinadas na Madeira e do mistério dos crimes imputados ao padre Frederico?

Quem se lembra que um dos raros condenados em Portugal, o mesmo padre Frederico, acabou a passear no Calçadão de Copacabana?

Quem se lembra do autarca alentejano queimado no seu carro e cuja cabeça foi roubada do Instituto de Medicina Legal?

Em todos estes casos, e muitos outros, menos falados e tão sombrios e enrodilhados como estes, a verdade a que tivemos direito foi nenhuma.

No caso McCann, cujos desenvolvimentos vão do escabroso ao incrível, alguém acredita que se venha a descobrir o corpo da criança ou a condenar alguém? As últimas notícias dizem que Gerry McCann não seria pai biológico da criança, contribuindo para a confusão desta investigação em que a Polícia espalha rumores e indícios que não têm substância.

E a miúda desaparecida em Figueira? O que lhe aconteceu? E todas as crianças desaparecida antes delas, quem as procurou?

E o processo do Parque, onde tantos clientes buscavam prostitutos, alguns menores, onde tanta gente "importante" estava envolvida, o que aconteceu? Arranjou-se um bode expiatório, foi o que aconteceu.

E as famosas fotografias de Teresa Costa Macedo? Aquelas em que ela reconheceu imensa gente "importante", jogadores de futebol, milionários, políticos, onde estão? Foram destruídas? Quem as destruiu e porquê?

E os crimes de evasão fiscal de Artur Albarran mais os negócios escuros do grupo Carlyle do senhor Carlucci em Portugal, onde é que isso pára? O mesmo grupo Carlyle onde labora o ex-ministro Martins da Cruz, apeado por causa de um pequeno crime sem importância, o da cunha para a sua filha.

E aquele médico do Hospital de Santa Maria, suspeito de ter assassinado doentes por negligência? Exerce medicina?

E os que sobram e todos os dias vão praticando os seus crimes de colarinho branco sabendo que a justiça portuguesa não é apenas cega, é surda, muda, coxa e marreca.

Passado o prazo da intriga e do sensacionalismo, todos estes casos são arquivados nas gavetas das nossas consciências e condenados ao esquecimento. Ninguém quer saber a verdade. Ou, pelo menos, tentar saber a verdade. Nunca saberemos a verdade sobre o caso Casa Pia, nem saberemos quem eram as redes e os "senhores importantes" que abusaram, abusam e abusarão de crianças em Portugal, sejam rapazes ou raparigas, visto que os abusos sobre meninas ficaram sempre na sombra.

Existe em Portugal uma camada subterrânea de segredos e injustiças , de protecções e lavagens , de corporações e famílias , de eminências e reputações, de dinheiros e negociações que impede a escavação da verdade.

Este é o maior fracasso da democracia portuguesa

Clara Ferreira Alves - "Expresso"